Capita Eterno

Nas noites de domingo era costume assistir ao SporTV após o término da rodada, mas não era pela presença dos comentaristas, que muitas vezes caem no lugar comum em seus comentários. Era para assistir ao Capita e suas intervenções brilhantes e sempre educadas: “Se você me permitir um minuto, Marcelo…”

Mas Carlos Alberto Torres, o Capita, era brilhante em sua essência. Revolucionou o posicionamento dos laterais direitos quando começou a avançar pelo campo de ataque e marcou o gol contra a Itália após o passe genial de Pelé na final da copa de 1970 <clique aqui e veja a ficha técnica desta partida>. Mas a imagem mais marcante, foi quando levantou a taça Jules Rimet com os dois braços estendidos acima da cabeça ao recebê-la também em 1970. Gesto eternizado e repetido por praticamente todos os capitães que receberam taça e troféus, seja na copa do mundo, seja no campeonato de bairro em qualquer lugar do mundo. Realmente emocionante ver aquela imagem do Capita Eterno levantando a Jules Rimet.

Carlos Alberto Torres ainda guardava algumas surpresas. Em 2011 o New York Cosmos, equipe em que ele e Pelé haviam jogado no final da carreira na década de 70, contratou Carlos Alberto Torres como embaixador internacional da equipe para representá-la em atividades com torcedores e imprensa. Exemplo seguido depois pelo Santos, somente em 2014, que contratou Pelé como embaixador da equipe santista. Mas não apareceram mais exemplos como estes no Brasil, seria por falta de ídolos? Ou por falta de humildade dos nossos dirigentes?

Seja como for, perdemos um de nossos maiores ídolos e o Brasil hoje realmente precisa de ídolos com a história e o respeito que Carlos Alberto Torres, o Capita, sempre mereceu. Enquanto isto, as noites de domingo não terão mais as intervenções educadíssimas do nosso Capita…. fique com Deus, Capita!

Tecnologia no Futebol resolve?

A discussão do momento é o uso da tecnologia no futebol. Muito escuto sobre isto, principalmente após o último Fla-Flu pelo campeonato brasileiro.

Neste jogo, o Fluminense reclama que seu gol só foi anulado após interferência externa baseada em vídeo da TV que transmitia a partida. Se quiser saber mais sobre esta confusão toda assista a excelente matéria de Régis Rosing <clicando aqui>.

O que mais chama a minha atenção neste caso é que vários cronistas brasileiros, dos maiores do Brasil inclusive, dizem que isto será resolvido no ano que vem após implantação do vídeo na arbitragem.

Infelizmente não é assim. Fato real é que o recurso de vídeo está realmente previsto para ser utilizado a partir de julho ou agosto do ano que vem (2017). Mas o que realmente vai acontecer é de que somente alguns lances serão considerados na análise de vídeo no futebol. Inclusive é assim em qualquer outro esporte em que é utilizado vídeo. Por exemplo, o desafio no vôlei é permitido para bola dentro/fora, pé na linha do saque, pé na linha de 3 metros, invasão de quadra, toque na rede, toque no bloqueio e toque na antena. Somente nestes casos o desafio pode ser usado, fica de fora por exemplo, dois toques, bola conduzida, quarto toque e toque da bola na quadra.

No futebol não será diferente e o impedimento não será analisado. O que causa espanto é que vários dos maiores cronistas esportivos do Brasil não se informam antes de falar sobre determinados assuntos em momentos importantes. Mais profissionalismo senhores.

Segundo Sérgio Corrêa, em reportagem de 17/10/2016 ao SporTV, são quatro situações que a Fifa permitirá o uso do vídeo por uma equipe de arbitragem de vídeo especial nos jogos: 1-lance de área que o árbitro marca fora ou dentro (bola que bate na trave e no chão, se entrou ou não), 2-gol de impedimento originado de fora de jogo, 3-bola na mão que o árbitro interpretou como pênalti e não é, ou 4-uma expulsão indevida. Se quiser assistir a reportagem sobre árbitro de vídeo que será implantado em 2017 no Brasil com Sérgio Corrêa, assista <clicando aqui>.

Resumindo, a polêmica do Fla-Flu continuaria e a dúvida se a bola do primeiro gol do Atlético/PR no Atletiba saiu ou não pela linha de fundo, também não seria resolvida. Os dois seriam lances que não estão previstos nas situações citadas pela FIFA.

Para finalizar, a tecnologia no Futebol irá resolver alguns problemas, mas o impedimento continuará sendo a principal discussão após as partidas.

Dicas para nossos comentaristas de Radio

Os comentaristas que estão utilizando seu microfone são formadores de opinião e por isto precisam tomar cuidado com seus comentários. Acredito que eles não fazem ideia como é chato para o torcedor do outro lado do rádio ou mesmo da TV, ficar ouvindo que o time está ruim, não tá entrosado, tal jogador está mal. As vezes passando inclusive, a impressão de estar perseguindo um determinado jogador por várias partidas. Quem está assistindo ao jogo vê estas coisas e pode talvez discordar mas, quem não está assistindo, não tem como formar uma opinião própria ficando a mercê da opinião do comentarista . O que precisamos na nossa mídia é falar o que falta, o que dá pra mudar, fazer críticas mais construtivas e menos destrutivas. Depois do jogo não adianta comentar o resultado, pois é neste ponto que o torcedor pode verificar a qualidade do comentarista. Se os comentários foram bem feitos, o fim do jogo é a apoteose do bom comentarista e satisfação para o ouvinte. Senão é como diz Sidnei Campos: “comentar depois é contar história…”