Tecnologia no Futebol resolve?

A discussão do momento é o uso da tecnologia no futebol. Muito escuto sobre isto, principalmente após o último Fla-Flu pelo campeonato brasileiro.

Neste jogo, o Fluminense reclama que seu gol só foi anulado após interferência externa baseada em vídeo da TV que transmitia a partida. Se quiser saber mais sobre esta confusão toda assista a excelente matéria de Régis Rosing <clicando aqui>.

O que mais chama a minha atenção neste caso é que vários cronistas brasileiros, dos maiores do Brasil inclusive, dizem que isto será resolvido no ano que vem após implantação do vídeo na arbitragem.

Infelizmente não é assim. Fato real é que o recurso de vídeo está realmente previsto para ser utilizado a partir de julho ou agosto do ano que vem (2017). Mas o que realmente vai acontecer é de que somente alguns lances serão considerados na análise de vídeo no futebol. Inclusive é assim em qualquer outro esporte em que é utilizado vídeo. Por exemplo, o desafio no vôlei é permitido para bola dentro/fora, pé na linha do saque, pé na linha de 3 metros, invasão de quadra, toque na rede, toque no bloqueio e toque na antena. Somente nestes casos o desafio pode ser usado, fica de fora por exemplo, dois toques, bola conduzida, quarto toque e toque da bola na quadra.

No futebol não será diferente e o impedimento não será analisado. O que causa espanto é que vários dos maiores cronistas esportivos do Brasil não se informam antes de falar sobre determinados assuntos em momentos importantes. Mais profissionalismo senhores.

Segundo Sérgio Corrêa, em reportagem de 17/10/2016 ao SporTV, são quatro situações que a Fifa permitirá o uso do vídeo por uma equipe de arbitragem de vídeo especial nos jogos: 1-lance de área que o árbitro marca fora ou dentro (bola que bate na trave e no chão, se entrou ou não), 2-gol de impedimento originado de fora de jogo, 3-bola na mão que o árbitro interpretou como pênalti e não é, ou 4-uma expulsão indevida. Se quiser assistir a reportagem sobre árbitro de vídeo que será implantado em 2017 no Brasil com Sérgio Corrêa, assista <clicando aqui>.

Resumindo, a polêmica do Fla-Flu continuaria e a dúvida se a bola do primeiro gol do Atlético/PR no Atletiba saiu ou não pela linha de fundo, também não seria resolvida. Os dois seriam lances que não estão previstos nas situações citadas pela FIFA.

Para finalizar, a tecnologia no Futebol irá resolver alguns problemas, mas o impedimento continuará sendo a principal discussão após as partidas.

O retorno do “Futebol Moderno”

O título parece conflitante neste tempo em que muitos falam que o “Futebol Moderno” é o que temos hoje. Será? A volta do bom e velho futebol, aquele que chama a atenção do verdadeiro torcedor com mais gols, para que volte a encher estádios, está dependente da reformulação das regras pela Fifa. Não vejo outra forma.

O futebol de hoje, pra não chamar de moderno, deve ser revisto em suas regras. Assim como foi no futebol de salão na década de 80.
Para quem não lembra ou não viveu aquela época em que o Futsal era chamado de Futebol de Salão (nome usado até quando passou a ser comandado pela FIFA no início dos anos 90), é necessário contar que as partidas acabavam em placares quase sempre de 1 a 0, 0 a 0, 1 a 1, pois poucos gols eram marcados em quase todas as partidas e poucos torcedores se arriscavam a assistir às partidas monótonas nos ginásios antigos e desconfortáveis da época. Lembra algo? Sim. Igual ao Futebol e a muitos dos estádios de hoje.
Exemplo disto foi possível perceber na recente Eurocopa, onde Portugal foi campeã vencendo a França na prorrogação por 1 a 0, após empatar no tempo normal em 0 a 0, na olimpíada do Rio (tanto no futebol feminino quanto no masculino) várias decisões por pênaltis após empates com jogos travados. Mesmo nos recentes campeonatos brasileiros, várias partidas acabaram em 0-0, 1-1, 1-0, em média 4,2 jogos acabam nestes placares por rodada (até a rodada 22). Ou seja, quase metade das partidas no Brasileiro da série A de 2016 acabam nestes placares!

Voltando ao final da década de 80, a partir da ideia de que era preciso melhorar o Futebol de Salão, ainda sob a tutela da Federação Internacional de Futebol de Salão (FIFUSA), foram promovidas várias mudanças nas regras. Por exemplo, foi retirado o impedimento, no qual o jogador não podia fazer gol de dentro da área (quem lembra disto?), entre outras…
No meu entendimento as mudanças mais efetivas foram as disciplinares, onde passaram a existir faltas individuais e coletivas. Ainda após a quinta falta coletiva foi instituída a cobrança de falta direta sem barreira, que existem até hoje ainda. Esta regra fez diminuir muito o número de faltas durante o jogo. Depois algumas outras regras foram sendo alteradas, por exemplo, para o goleiro, que não podia jogar a bola além do meio de campo e hoje temos o goleiro linha. E as substituições sem limites? São regras que hoje no Futsal fazem a diferença no placar das partidas e chamam o torcedor para ver a chuva de gols. É o verdadeiro futebol show, ou alguém discorda?
Já que a Fifa tem exemplo dentro de casa mesmo, não seria hora de abrir os olhos e promover um verdadeiro “Futebol Moderno” e voltar a encher estádios promovendo verdadeiros espetáculos com muitos gols?