A eliminação do Botafogo da Copa Libertadores da América diante da LDU reacendeu debates e levantou uma série de questionamentos sobre o futuro e a gestão do clube alvinegro. O que parecia ser a temporada da consagração para o Glorioso, após o memorável ano anterior, transformou-se em uma “crônica de um desastre anunciado” para muitos analistas, revelando a complexidade de um time ainda em formação e com uma identidade de gestão que desafia o convencional. A queda precoce na principal competição continental é um duro golpe, mas também um ponto de virada que força o clube a reavaliar suas prioridades e estratégias para o restante do ano.
O Adeus à Libertadores e a Força Equatoriana
O confronto com a LDU era visto como um teste de fogo para o Botafogo, e o resultado final – uma vitória equatoriana por 2 a 0 no jogo de volta – selou a eliminação. A partida de ida, no Rio, que terminou com um magro 1 a 0 para o Alvinegro, já carregava a premonição de um desafio imenso em Quito. O gol relâmpago do Botafogo no primeiro jogo, o mais rápido daquela edição da Libertadores, deu uma falsa sensação de controle, mas a incapacidade de ampliar a vantagem custou caro. E aqui, um ponto crucial: o rival. É inegável a crescente força dos times equatorianos na América do Sul. LDU, Independiente del Valle e Barcelona de Guayaquil acumulam títulos e campanhas notáveis nos últimos 10 anos, acostumados a desbancar gigantes brasileiros e argentinos, muitas vezes beneficiados pela altitude e por um futebol experiente e “malandro”. Ignorar essa realidade é um erro. O Equador se tornou um celeiro de talentos, com jogadores de alto nível aparecendo em grandes ligas europeias. O Botafogo sentiu na pele o peso de enfrentar um adversário que, embora não tenha os maiores orçamentos, sabe jogar a Libertadores como poucos.
O “DNA” do Técnico e as Polêmicas da Arbitragem
A escolha do técnico do Botafogo também tem sido alvo de análises críticas. A decisão de entregar as rédeas de um time campeão brasileiro e da Libertadores a um novato que não conhece as particularidades do futebol sul-americano é vista como uma operação de alto risco. Muitos argumentam que o clube contratou mais um “DNA” do que um técnico propriamente dito, apostando em um projeto em detrimento da experiência necessária para uma competição tão cheia de detalhes atípicos como a Libertadores, onde altitude, calendário e arbitragem jogam um papel fundamental. Além disso, a arbitragem voltou a ser um tema quente. O lance do pênalti que originou o primeiro gol da LDU gerou controvérsia, com a reclamação botafoguense sobre a origem do escanteio que o precedeu. Embora o pênalti em si parecesse claro, a discussão sobre o erro inicial na marcação do escanteio levantou o debate sobre a abrangência do VAR. Deveria o VAR intervir em lances que antecedem diretamente um gol ou pênalti, mesmo que a falha original não seja passível de revisão? A regra atual preza pela “pouca intervenção” e correção de “erros bizarros”, e não pela busca incessante por cada mínimo detalhe, o que evitaria o risco de um jogo com interrupções ainda maiores. No entanto, o azar em decisões cruciais pareceu perseguir o Botafogo novamente.
O Modelo Textor: Entre o “Massaf” e a Inconstância
A gestão do Botafogo sob o comando de John Textor e a SAF é uma verdadeira incógnita. O “Massaf”, como alguns chamam a transformação do clube em uma Sociedade Anônima do Futebol, foi um movimento de sobrevivência que resgatou o Botafogo de um histórico de quedas e irrelevância. De um time que frequentava a Série B e lutava para não cair, o Botafogo se tornou campeão brasileiro e da Libertadores em 2023, um feito inimaginável sem a injeção de capital e a nova gestão. No entanto, o modelo de Textor é marcado pela inconstância. A figura do americano se tornou o centro das atenções, ora como salvador, ora como o pivô de problemas. O que se percebe é uma estratégia de “compra e vende” contínua, onde o elenco muda drasticamente de um ano para o outro, e até mesmo ao longo de uma mesma temporada. O time que terminou 2023 campeão é quase irreconhecível em 2024. A famosa declaração de Textor de que a “temporada só começava em abril” custou caro? Em 2023, foi uma exceção que confirmou a regra, com um time que encaixou de forma milagrosa e rápida, apesar das chegadas tardias e das mudanças. Replicar esse modelo de sucesso é uma aposta arriscada. O futebol, em geral, exige tempo para entrosamento e construção de uma base sólida. A “Botafogo Way”, se é que existe uma, ainda não está clara, e a indefinição na gestão somada às frequentes trocas de elenco e de técnicos (com exceção de Luís Castro e Artur Jorge, que permaneceu mais tempo) gera um cenário de “tentativa e erro” que pode não ser sustentável a longo prazo para brigas por títulos. Para entender melhor o impacto das SAFs no futebol brasileiro, você pode [entender o que é uma SAF no futebol brasileiro](https://ge.globo.com/futebol/noticia/entenda-o-que-e-uma-saf-no-futebol-brasileiro.ghtml).
O Futuro Alvinegro: Foco na Copa do Brasil e Vaga na Libertadores
Com a eliminação da Libertadores, o Botafogo precisa reajustar seus objetivos para a temporada. No Campeonato Brasileiro, a briga pelo título parece distante. Com 29 pontos e um jogo a menos, o Glorioso está 14 pontos atrás do líder Flamengo, tornando a disputa pela taça uma quimera. A realidade no Brasileirão é lutar por uma vaga na próxima Copa Libertadores da América, competindo com times como Bahia, Cruzeiro, São Paulo, Fluminense e até o Mirassol, dependendo da evolução do campeonato e do número de vagas via copas. É um cenário possível, dada a qualidade do elenco, que ainda está um patamar acima do que o clube tinha antes da SAF.
Já na Copa do Brasil, o cenário é de otimismo. O Botafogo avança para as quartas de final e enfrentará o Vasco da Gama. Para este confronto, o Botafogo é, inegavelmente, favorito. Em caso de classificação, pegaria Fluminense ou Bahia na semifinal, um duelo que se desenha como equilibrado. A Copa do Brasil se torna a principal alternativa de título para o Alvinegro em 2024. Vale lembrar que, entre os chamados “12 grandes”, o Botafogo é o único que ainda não conquistou a Copa do Brasil, tendo vencido a Libertadores em 2023 (o último dos grandes a fazê-lo). É uma chance histórica de preencher essa lacuna no seu prestigioso rol de conquistas, adicionando mais um capítulo à [história de grandes clubes brasileiros](https://futebolbrazil.com.br/historia-grandes-clubes-brasileiros).
Os Outros Caminhos da Libertadores: Flamengo em Destaque
Enquanto o Botafogo busca sua redenção nas competições nacionais, a Libertadores segue seu rumo, e o Flamengo emerge como o grande favorito em sua chave. Enfrentando Estudiantes, Racing ou Vélez, o Rubro-Negro carioca demonstra um futebol superior e um elenco robusto, com muitas opções para Felipe Luís e a comissão técnica. Embora a Libertadores seja imprevisível e erros individuais possam custar uma classificação – como já vimos com o Flamengo no passado –, a tendência é que o time carioca avance. A qualidade e a profundidade do elenco flamenguista o colocam como o time a ser batido na América do Sul, um contraste marcante com a realidade de outros clubes brasileiros, como o Corinthians, que enfrenta graves problemas financeiros e uma dívida que se aproxima dos 3 bilhões de reais. A gestão do Flamengo, ao longo dos últimos anos, serve de exemplo de como organização financeira e investimento planejado podem trazer resultados esportivos duradouros.
A eliminação na Libertadores é um baque para o Botafogo, mas não o fim da linha. O clube, que passou por uma transformação radical nos últimos anos, ainda tem um caminho a trilhar. A “incógnita” permanece, mas a esperança de novos capítulos de sucesso na Copa do Brasil e a busca por uma vaga na Libertadores do próximo ano mantêm a torcida alvinegra acesa, aguardando as cenas dos próximos capítulos dessa complexa e emocionante história.