A Seleção Brasileira iniciou sua jornada asiática com uma vitória robusta de 5 a 0 sobre a Coreia do Sul. O placar expressivo, contudo, requer uma análise ponderada. Especialistas destacam fatores culturais únicos: a profunda idolatria coreana pelo futebol brasileiro, presente desde os anos 70, que molda a dinâmica desses confrontos.
O Respeito Oriental e a Análise do Jogo
A cultura oriental, que confere grande valor ao “mestre”, estende essa deferência ao campo. Seleções como Coreia do Sul e Japão, capazes de superar potências europeias em Copas do Mundo, parecem alterar seu estilo ao enfrentar a Seleção Brasileira. A intensidade diminui, e a agressividade usual é substituída por uma postura mais contida, quase reverencial, que dificulta uma competição em pé de igualdade.
No amistoso recente, essa particularidade foi evidente. A Coreia do Sul não impôs a resistência esperada. O gol de Vinicius Júnior, que atravessou o campo com facilidade, ilustra como o adversário não conseguiu jogar com a mesma veemência. Para o Brasil, o jogo foi, de fato, notavelmente tranquilo.
Apesar do contexto, o mérito das atuações individuais é inegável. Rodrygo, com dois gols, e Bruno Guimarães, que brilhou no meio-campo, tiveram desempenhos marcantes. Casemiro mostrou boa chegada à área, enquanto a defesa foi pouco testada. O entrosamento entre Vinicius Júnior e Rodrygo, e o gol de Estevão, reforçam a qualidade do elenco. É crucial ponderar esses fatores para uma avaliação realista e focada na evolução.
O Toque de Ancelotti: Uma Seleção com Cara Nova?
A chegada de Carlo Ancelotti ao comando da Seleção Brasileira é um marco. Mesmo em poucos jogos, o treinador italiano já imprime sua visão, buscando solidificar uma espinha dorsal. Ele parece ter definido peças-chave como Alisson no gol, a dupla de zaga (com Marquinhos e Gabriel Magalhães ou Militão), e o meio-campo com Casemiro e Bruno Guimarães. No ataque, Vinicius Júnior é uma certeza, e Estevão tem conquistado seu espaço com versatilidade e gols importantes.
As laterais, no entanto, permanecem um desafio. Com muitos atletas testados, Ancelotti busca as melhores opções, podendo até usar Militão na lateral direita, considerando sua experiência. Essa indefinição sugere uma preferência por laterais mais defensivos, visando equilibrar o time, dada a vocação ofensiva do meio para frente. Sua versatilidade tática permite ver jogadores como Vinicius Júnior, Rodrygo e Matheus Cunha como atacantes multifuncionais, explorando soluções criativas e tornando a Seleção Brasileira menos previsível.
O Caminho para a Copa: Expectativas e o Peso da História
O debate sobre a “geração” de jogadores é frequente, mas a história mostra que a percepção de uma Seleção Brasileira como “brilhante” ou “fraca” muitas vezes se define na Copa do Mundo. Grandes nomes do passado, sem o título, podem ser subestimados, enquanto outros ganham status lendário após erguerem a taça.
Ancelotti tem um elenco de alta qualidade e muitas opções. A mescla de experiência, como Casemiro, com jovens talentos (Bruno Guimarães, Vinicius Jr., Rodrygo, Estevão), forma uma base promissora. Longe de ser uma geração fraca, há material para construir uma equipe altamente competitiva para o mundial. Embora França, Espanha e Argentina sejam citadas como favoritas, a Seleção Brasileira sob Ancelotti tem potencial para evoluir e brigar pelo título, buscando a glória máxima.
O amistoso contra a Coreia do Sul foi um passo inicial. A meta agora é refinar o time, definir estratégias e fortalecer a mentalidade. A busca é por uma Seleção Brasileira que não só jogue bem, mas que tenha a resiliência e a coesão necessárias para alcançar o topo do futebol mundial.












